O "FRIO" CHEGA PARA TODOS

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LEITURA DO TEXTO

1 Kings 1:1–4 NAA
Quando o rei Davi já estava bem velho, envolviam-no com roupas, mas ele não se aquecia. Então os seus servos lhe disseram: — Que se procure para o rei, nosso senhor, uma jovem donzela, que esteja diante do rei e tenha cuidado dele, e durma nos seus braços, para que o rei, nosso senhor, se aqueça. Então procuraram em todo o território de Israel uma jovem formosa. Acharam Abisague, sunamita, e a levaram ao rei. A jovem era muito bonita. Cuidava do rei e o servia, mas o rei não teve relações com ela.

INTRODUÇÃO

Se olharmos para a literatura de sabedoria do Antigo Testamento, conseguiremos extrair grandes lições para conseguirmos viver bem não apenas hoje e agora, mas especialmente no últimos dias de nossas vidas. E vou te contar algo importante: tão essencial quanto começar bem uma jornada é caminhar bem na jornada e terminar bem a jornada.
Vejamos alguns textos dos Salmos e Provérbios:
Salmo 90.12 “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”
Aqui Moisés nos mostra em sua oração escrita que é muito importante para cada um de nós viver bem cada “hoje” para que possamos alcançar a verdadeira maturidade. O nosso futuro é a soma das decisões e ações que escolhemos vivenciar em cada presente que Deus nos dá.
Salmo 71.18 “Não me desampares, ó Deus, agora que estou velho e de cabelos brancos, até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às gerações vindouras o teu poder.”
Aqui temos Davi declarando em oração também que, diante da realidade de sua velhice, ele precisa até o último dia de vida da força espiritual de Deus.
Provérbios 3.1–2 “Meu filho, não se esqueça dos meus ensinos, e que o seu coração guarde os meus mandamentos, porque eles aumentarão os seus dias e lhe acrescentarão anos de vida e paz.”
Salomão aqui nos mostra que o ensino da Palavra de Deus produz uma vida plena não só em qualidade, mas também em quantidade. Obviamente gente de Deus vive menos dias nessa terra (vide Jesus e o apóstolo Tiago), mas também é comum vermos gente de Deus vivendo bastante e seus dias serem proveitosos (vide os apóstolos Paulo, Pedro e João).
Provérbios 9.11 “Porque por mim [sabedoria] se multiplicarão os seus dias, e aumentarão os anos de sua vida.”
Aqui Salomão nos mostra um dado da realidade: muita gente vive pouco por causa da falta de sabedoria. A sabedoria pode nos fazer viver mais aqui nessa terra e com qualidade. Alguns morrem cedo porque fazem alianças com pessoas erradas. Alguns vivem bastante mas sem qualidade porque cuida mal do corpo ou das próprias emoções. Apesar de existirem fatores que são fora do nosso controle como as mortes injustas que vemos quase que diariamente no noticiário da cidade, possivelmente na maioria dos casos as pessoas que possuem mais sabedoria vivem mais e melhor nessa vida.
No início de uma nova série de pregações expositivas, agora caminhando pelo primeiro livro dos Reis de Israel e Judá, o meu desejo é que a Palavra de Deus nos ensine a justiça que é a santidade para que nós sejamos pessoas que conseguem viver bem cada agora que o Eterno nos dá, até o final da nossa existência terrena.

EXPOSIÇÃO DO TEXTO

1Reis 1.1 “Quando o rei Davi já estava bem velho, envolviam-no com roupas, mas ele não se aquecia.”
Davi já dormiu em caverna e não sofreu com a falta de aquecimento corporal. Mas os tempos mudaram. O rei agora está velho e fraco, carente de cuidados de terceiros e incapaz de ficar com o seu corpo aquecido mesmo envolvido com roupas. Tenho 3 lições a extrair deste versículo:
1- Assim como a saúde física, o poder humano não é eterno. O único que detém o poder eterno é o Senhor. Logo, precisamos cuidar da nossa saúde corporal enquanto ainda temos condições de fazer isso por nossa própria conta — e com a consciência de que não seremos fortes e poderosos para sempre.
2- Davi foi envolvido com roupas. Vemos aqui que ele, por ter sido um grande líder, foi honrado no final de sua vida. Biblicamente, eu creio que esse princípio pode ser aplicado à outras figuras de autoridade, como pais e pastores. Bons pais, como bons pastores, tendem a serem honrados recebendo o amor em forma de cuidado no fim de suas jornadas.
3- O frio (um eufemismo para o fim) chega para todos. Todos envelhecem e terão de encarar a morte. Mas a pergunta principal é: quem está contigo quando o frio chega?
1Reis 1.2–3 “Então os seus servos lhe disseram: — Que se procure para o rei, nosso senhor, uma jovem donzela, que esteja diante do rei e tenha cuidado dele, e durma nos seus braços, para que o rei, nosso senhor, se aqueça. Então procuraram em todo o território de Israel uma jovem formosa. Acharam Abisague, sunamita, e a levaram ao rei.”
Abisague era natural de Suném, uma cidade no território de Issacar1, e sua história oferece várias dimensões interpretativas importantes para compreender o contexto político e pessoal do final da vida de Davi.
Seu papel prático e simbólico: Escolhida cuidadosamente pela sua juventude, beleza e vigor físico, ela funcionava como enfermeira e atendente pessoal, transmitindo ao monarca envelhecido o calor e a vitalidade de seu corpo jovem2. Embora Davi estivesse enfraquecido e próximo da morte, incapaz de manter-se aquecido mesmo com cobertores, ele também não foi sexualmente despertado pela jovem3—um detalhe que enfatiza tanto seu declínio físico quanto a natureza estritamente terapêutica do arranjo.
Importância política: Abisague ocupava uma posição estratégica na sucessão do trono. Ela tinha conhecimento íntimo da condição de Davi e estava presente quando Bate-Seba o visitou para assegurar que Salomão fosse coroado, tornando-se testemunha crucial de eventos decisivos2. Seu status era ambíguo—embora virgem, ela possuía o estatuto de viúva real, e o casamento com ela poderia ter legitimado as pretensões de um rival ao trono3. De fato, quando Adonias tentou reivindicar o reino, pediu Abisague em casamento como forma de estabelecer suas credenciais dinásticas1, ato que levou Salomão a executá-lo1.
Interpretações posteriores: Alguns comentaristas associaram Abisague à Sulamita do Cântico dos Cânticos, vinculando-a através da conexão geográfica entre Suném e Shulem3, embora essa conexão permaneça especulativa. Sua figura paradoxal—virgem e esposa, jovem e viúva—fascinou escritores modernos, tornando-a símbolo de transição e vulnerabilidade.
Era comum nos dias do rei Davi uma jovem mulher servir um homem no fim da vida com o seu próprio corpo, para aquecê-lo?
Sim, essa prática era reconhecida e aceita na medicina antiga. Tanto Josefo quanto Galeno, o médico grego, incentivaram a prática terapêutica de trazer mulheres jovens aos dormitórios de homens idosos.1 A decisão de providenciar uma jovem mulher que pudesse mantê-lo aquecido deitando-se ao seu lado na cama e também servir como sua enfermeira estava em harmonia com os costumes médicos daquela época.2
A fundamentação dessa prática repousava em duas crenças principais. Primeiro, havia uma convicção terapêutica: a ideia dos antigos era que o corpo jovem de uma bela mulher transmitiria a um idoso saúde e vigor, e não somente calor.1 Segundo, havia dimensões políticas e dinásticas envolvidas. A fertilidade em um rei era considerada fonte de prosperidade para a nação inteira, e um rei, afinal de contas, não deveria ser um homem impotente.1
A escolha de uma jovem virgem tinha justificativas práticas: uma jovem solteira seria provavelmente vigorosa, livre de responsabilidades domésticas, e capaz de atender a Davi continuamente conforme suas necessidades exigissem.2 Importante notar que o escritor de 1Reis enfatizou que Davi não teve relações íntimas e sexuais com Abisague.3
Essa prática persistiu além da era bíblica: essa prática continuou até a Idade Média, e há conjectura de que tenha sido a Igreja Católica que a desencorajou.1 O que era considerado terapia legítima eventualmente tornou-se moralmente questionável conforme as perspectivas culturais e religiosas evoluíram.
Algumas lições extraídas destes versículos:
1- Os mais velhos em algum momento de suas vidas precisam da ajuda dos mais jovens. Tanto os servos de Davi quanto Abisague são mais jovens que o rei e são instrumentos da providência divina para o alívio de sua angústia física.
2- Não podemos jamais desprezar a utilidade e o serviço dos nossos jovens.
1Timóteo 4.12 “Ninguém o despreze por você ser jovem; pelo contrário, seja um exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé, na pureza.”
Os jovens são chamados na Escritura para serem exemplo para a igreja. Um jovem cheio de vida, força e saúde precisa canalizar todas essas valências para o benefício de outras pessoas.
3- As gerações são interdependentes, ou seja, dependem umas das outras.
O velho Davi precisa da jovem Abisague, assim como um idoso da igreja local precisa do amor, da amizade, das visitas generosas e das orações da juventude da igreja local.
A ordem inversa também é válida. A jovem Abisague sem essa função que beneficia diretamente o rei idoso, é apenas uma jovem bonita e anônima. Os jovens precisam descobrir mais do seu valor próprio no serviço aos mais velhos.
1Reis 1.4 “A jovem era muito bonita. Cuidava do rei e o servia, mas o rei não teve relações com ela.”
O jovem rei Davi, na sua falta de maturidade espiritual (ou seja, na falta de sabedoria divina), viveu uma fase importante de sua vida em função das relações sexuais. Seu caso com Bate Seba (relatado em 2Samuel 11) trouxe consequências que ainda serão vistas neste primeiro capítulo do primeiro livro dos Reis. Porém, agora ele não tem saúde nem virilidade para desejar sexualmente uma jovem bonita e virgem.
O texto traz esse detalhe para demonstrar algo mais que um contexto cultural mais focado num tratamento terapêutico: o texto nos mostra que o poder, o dinheiro e o sexo são coisas que um dia passarão para todos e que não faz sentido viver em função dessas coisas.
Quantas pessoas vivendo para o poder! Destruindo vidas apenas para conseguirem controlar mais e mais pessoas.
Quantas vivendo para o dinheiro! Acumulando infelicidade e frustração porque nenhuma pessoa gananciosa vive satisfação real com o que tem e nenhuma pessoa avarenta consegue descobrir a alegria que é ver o fruto de tanto trabalho e esforço abençoar outras pessoas.
E quantas pessoas vivendo para o sexo! Um dos maiores ídolos modernos e que rouba a dignidade humana. O sexo dentro do casamento é maravilhoso e abençoador; mas toda relação sexual fora do casamento bíblico, por mais preliminar que se configure, é apenas um ato de desprezo para com a santidade de Deus — logo, um desprezo para com a pessoa de Deus. Nenhuma pessoa que vive para o sexo ilícito pode viver o que Deus idealizou para ela em sua criação. Essa pessoa é pobre de alma, infeliz e totalmente desviada da verdade.
Algumas lições:
1- Tudo o que é terreno, aparente e natural está passando e passará completamente.
A beleza está associada com a juventude nesse vercísulo. O rei é descrito como possivelmente um impotente sexual, porque tem uma jovem muito bonita dormindo com ele todos os dias e ele não teve relações com ela até o dia de sua morte. Sabemos que a beleza física não necessariamente tem a ver com a idade de uma pessoa, mas é fato que as pessoas mais velhas já não se enxergam tão belas e fortes como já puderam se enxergar.
Sendo assim, precisamos aprender a cultivar uma beleza que o tempo não pode deformar que é a beleza no caráter que é santificado pela Palavra de Deus.
2- No fim, a melhor coisa que possa nos acontecer é não ficarmos sozinhos.
O apóstolo Paulo expressa esse anseio em uma de suas cartas pastorais. 2Timóteo 4.9-13
2 Timothy 4:9–13 NAA
Empenhe-se por vir até aqui o mais depressa possível. Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia. Tito foi para a Dalmácia. Somente Lucas está comigo. Encontre Marcos e traga-o junto com você, pois me é útil para o ministério. Quanto a Tíquico, mandei-o para Éfeso. Quando você vier, traga a capa que deixei em Trôade, na casa de Carpo. Traga também os livros, especialmente os pergaminhos.
A vida só tem manutenção no encontro. Nós somos o resultado dos nossos relacionamentos. Se no final o que nos restar é a solidão, isso apenas significará que fizemos uma má gestão da vida que Deus nos deu, pois foi o próprio Senhor quem disse em Gênesis 2.18 “O Senhor Deus disse ainda: — Não é bom que o homem esteja só; farei para ele uma auxiliadora que seja semelhante a ele.”
3- Jovem, assim como Abisague você é convidado(a) a dedicar os seus melhores dias para servir ao Rei.
Não podemos nos esquecer para quem a vida e o reinado de Davi aponta. A Bíblia possui uma série de histórias que estão dentro de uma supra história, a história de Deus no evangelho. O rei Davi é ascendente do Rei dos reis, Jesus. E todo jovem que escolhe no seu auge físico dedicar tudo ao Senhor Jesus, com certeza age com sabedoria e planta sementes poderosas que frutificarão ainda em sua velhice.
Eu tenho 40 anos e sei que só estou aqui porque 1) a graça de Deus me alcançou, 2) meus pais investiram em minha fé e 3) eu plantei sementes de fé na minha juventude e procurei servir ao Rei.
Muitos estão no auge físico se jogando na carne e no mundo e se tornando marionetes nas mãos do diabo, mas você jovem é convidado pelo Espírito de Deus a se jogar na missão, no Reino e na santidade bíblica. Você talvez seja tentado por tudo e todos à sua volta a pensar que estará desperdiçando os melhores dias de sua vida, mas eu posso te assegurar que é exatamente o contrário.

CONCLUSÃO

O grande dilema de 1Reis 1.1-4 é: com a iminente morte do maior rei de Israel, qual será o futuro do povo de Deus? Deus prometeu um trono eterno ao rei Davi. Veja:
2 Samuel 7:5–13 NAA
— Vá e diga ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor: “Você quer edificar um templo para minha habitação? Desde o dia em que tirei os filhos de Israel do Egito até o dia de hoje, não habitei em nenhum templo, mas tenho andado em tenda, em tabernáculo. Em todos os lugares em que andei com todos os filhos de Israel, por acaso falei alguma palavra com qualquer das suas tribos, a quem mandei apascentar o meu povo de Israel, dizendo: ‘Por que vocês não construíram um templo de cedro para mim?’ ” — Agora diga ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Eu tirei você das pastagens e do trabalho de andar atrás das ovelhas, para que você fosse príncipe sobre o meu povo, sobre Israel. Estive com você por onde quer que você andou e eliminei todos os seus inimigos diante de você. Engrandecerei o seu nome, como só os grandes têm na terra. Prepararei um lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei para que habite no seu lugar e não seja mais perturbado. E jamais os filhos da perversidade o afligirão, como no passado, desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo de Israel. Eu lhe darei descanso de todos os seus inimigos. O Senhor também lhe faz saber que ele, o Senhor, fará uma casa para você. Quando os seus dias se completarem e você descansar com os seus pais, então farei surgir depois de você o seu descendente, que procederá de você, e estabelecerei o seu reino. Este edificará um templo ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.
Se o trono do rei Davi será estabelecido por Deus para sempre, o cenário de instabilidade mostra tanto as falhas de Davi como pai em não preparar com antecedência o seu sucessor (veremos isso melhor no próximo sermão) quanto a verdade de que Deus sempre age na história e usa até mesmo os conflitos humanos e o próprio pecado para cumprir suas promessas.
Precisamos ainda destacar que Davi termina os seus como o rei de Israel. Ele é o maior rei. E ele será no livro de Rei o paradigma de bondade, de modo que todos os reis que farão o que é reto aos olhos do Senhor serão comparados diretamente com o rei Davi. Davi começou bem, teve muitos percalços no caminho, mas conseguiu terminar o seu reinado sendo honrado e admirado pelo seu povo, além de ter sido aprovado por Deus porque, no, fim, prevaleceu a graça divina sobre sua vida e sua história.
Sabemos que o filho do rei que vai construir um templo ao Senhor e ter um reino marcado pelo “descanso de todos os inimigos de Davi” chama-se Salomão, filho de Bate Seba, aquela que entra na história do rei de uma maneira lamentável porque o que a Bíblia descreve da história de Davi a partir 2Samuel 11 é uma série de pecados, conflitos, traições e tragédias. Mas a nossa realidade, por pior que seja, não está totalmente perdida. Há um Rei nos céus que governa os nossos dias e que pode transformar maldição em bênção, em nome de Jesus!
Mediante a tantas lições, podemos perceber um fato: não conseguimos viver os nossos dias até terminá-los de maneira totalmente íntegra por nós mesmos. O nosso coração é muito conectado com desejos, prazeres, vontades e ocupações que são meramente carnais e pecaminosas. Como Davi, somos capazes de cometer atrocidades e muitas vezes exercermos mal a nossa liderança ao ponto de chegarmos ao fim da vida sem que um sucessor esteja já designado. Como Davi, temos uma facilidade de acertar e errar, buscar a face de Deus pela manhã e cair no pecado grave no fim do dia, agir com justiça ou cometer um crime. O resumo é: nós por nós mesmos só pode dar numa coisa: morte.
É por isso que precisamos de alguém belo e formoso não de corpo, mas de alma, que dedicou seus poucos anos que teve nessa terra para nos servir. Foi Jesus quem disse em Marcos 10.45 “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”
Jesus é uma melhor Abisague, que nos aquece com o Seu Espírito em nossos dias de cansaço e desesperança. Ele quer cuidar de nós por meio do Seu Espírito Santo não apenas em nossos dias finais, mas durante cada segundo de nossa existência.
E Jesus é ainda o Rei que nunca chegará ao fim do seu reinado. Ele é o Rei que permanece governando e servindo o seu povo para sempre. Jesus é um maior e melhor Davi, pois Ele não perde sua força nem vigor, continua justo e santo e sua glória brilha sobre a Igreja mais que a luz do sol. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o autor e consumador da fé, o criador, sustentador, reconciliador e consumador de todas as coisas. O seu reino não terá fim. A sua justiça reinará no fim dos tempos. Jesus é o Rei que é digno de ser servido, adorado e exaltado. Ele nos salva dos nossos pecados porque Ele deu a própria vida por nós na cruz do Calvário. Ele nos garante o perdão de Deus e a vida eterna porque Ele se levantou dos mortos ao terceiro dia. Ele é a ressurreição e a vida, de modo que não precisamos mais temer o fim de nossa vidas terrenas.
O frio chega para todos. O fim é uma realidade inevitável. Mas podemos e devemos findar os nossos dias com a segurança de que Deus não deixará desamparados e que a boa semente que plantamos lá atrás vai produzir o seu fruto e nos aliviar o sofrimento no futuro.
Que possamos nos arrepender dos pecados e confiar em Jesus para salvação todos os dias. Que possamos chegar ao fim da nossa jornada e dizer o que Paulo pela graça escreveu sobre sua própria jornada:
2Timóteo 4.7 “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”
Creia no evangelho de Jesus. Confesse que Ele é o teu Salvador e Senhor. Receba o Espírito Santo e veja pelo novo nascimento o reino de Deus ainda hoje. Que essas realidades sejam suas em nome de Jesus.
Amém. Vamos orar.

Rascunho

Lições de 1 Reis 1.1-4
> Quais lições podemos extrair em 1Reis 1.1-4?
Os primeiros versículos de 1Reis marcam o final da era dourada do reinado de Davi[1], oferecendo lições profundas sobre liderança, paternidade e fidelidade espiritual.
Declínio do poder e transição de liderança: Davi estava no septuagésimo ano de vida, e o desgaste de uma vida militar havia esgotado sua constituição[2]. Esse cenário ilustra uma verdade inevitável: líderes envelhecem e devem preparar sucessores. A questão não é se a transição ocorrerá, mas como será conduzida—com sabedoria ou caos.
O perigo da negligência parental em líderes: Mesmo homens tementes a Deus como Davi enfrentaram dificuldades nas relações familiares, pois líderes piedosos não podem presumir do bem-estar espiritual de seus filhos; a fé não é fabricada sob demanda, mas construída através de atenção constante e disciplina paciente[1]. Embora Davi tenha servido bem como rei, frequentemente falhou como pai, negligenciando responsabilidades familiares em favor do serviço público[1].
Consequências da falta de limites: Como Davi nunca se opôs ou questionou seu filho Adonias, este não aprendeu a respeitar limites, sempre desejando seu próprio caminho sem consideração pelos outros ou pela vontade de Deus[1]. Uma criança indisciplinada pode parecer adorável, mas um adulto indisciplinado causa destruição; estabelecer limites permite que as crianças desenvolvam o autocontrole necessário para a vida adulta[1].
Vulnerabilidade espiritual corporativa: 1Reis começa com um reino unido e centrado em Deus, mas termina dividido e idólatra; a razão aparente é simples—desobediência a Deus—mas todos somos vulneráveis às mesmas forças que causaram o declínio de Israel: ganância, ciúme, sede de poder, enfraquecimento dos votos matrimoniais e superficialidade na devoção[1].
O conflito destrutivo perseguiu a dinastia de Davi conforme Natã havia predito[3], demonstrando que as consequências do pecado atravessam gerações, tornando essencial que líderes espirituais priorizem integridade pessoal e familiar acima de ambições políticas.
[1] Tyndale, Chronological Life Application Study Bible, org. Susan Perlman (Carol Stream, IL: Tyndale House Publishers, 2023), 554. [2] Robert Jamieson, A. R. Fausset, e David Brown, Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997), 1:211. [3] Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento, org. Juan Carlos Martinez (São Paulo: Hagnos, 2014), 320.
O que você pode me dizer sobre Abisague, a jovem sunamita que serviu o rei em sua velhice?
Abisague era natural de Suném, uma cidade no território de Issacar1, e sua história oferece várias dimensões interpretativas importantes para compreender o contexto político e pessoal do final da vida de Davi.
Seu papel prático e simbólico: Escolhida cuidadosamente pela sua juventude, beleza e vigor físico, ela funcionava como enfermeira e atendente pessoal, transmitindo ao monarca envelhecido o calor e a vitalidade de seu corpo jovem2. Embora Davi estivesse enfraquecido e próximo da morte, incapaz de manter-se aquecido mesmo com cobertores, ele também não foi sexualmente despertado pela jovem3—um detalhe que enfatiza tanto seu declínio físico quanto a natureza estritamente terapêutica do arranjo.
Importância política: Abisague ocupava uma posição estratégica na sucessão do trono. Ela tinha conhecimento íntimo da condição de Davi e estava presente quando Bate-Seba o visitou para assegurar que Salomão fosse coroado, tornando-se testemunha crucial de eventos decisivos2. Seu status era ambíguo—embora virgem, ela possuía o estatuto de viúva real, e o casamento com ela poderia ter legitimado as pretensões de um rival ao trono3. De fato, quando Adonias tentou reivindicar o reino, pediu Abisague em casamento como forma de estabelecer suas credenciais dinásticas1, ato que levou Salomão a executá-lo1.
Interpretações posteriores: Alguns comentaristas associaram Abisague à Sulamita do Cântico dos Cânticos, vinculando-a através da conexão geográfica entre Suném e Shulem3, embora essa conexão permaneça especulativa. Sua figura paradoxal—virgem e esposa, jovem e viúva—fascinou escritores modernos, tornando-a símbolo de transição e vulnerabilidade.
1Paul Douglas Gardner, in New International Encyclopedia of Bible Characters: The Complete Who’s Who in the Bible (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 2001), 614.
2Willis J. Beecher, “Abishag”, in The International Standard Bible Encyclopaedia, org. James Orr et al. (Chicago: The Howard-Severance Company, 1915), 12–13.
3David L. Jeffrey, in A Dictionary of biblical tradition in English literature (Grand Rapids, MI: W.B. Eerdmans, 1992). [Veja aqui, aqui, aqui.]
Era comum nos dias do rei Davi uma jovem mulher servir um homem no fim da vida com o seu próprio corpo, para aquecê-lo?
Sim, essa prática era reconhecida e aceita na medicina antiga. Tanto Josefo quanto Galeno, o médico grego, incentivaram a prática terapêutica de trazer mulheres jovens aos dormitórios de homens idosos.1 A decisão de providenciar uma jovem mulher que pudesse mantê-lo aquecido deitando-se ao seu lado na cama e também servir como sua enfermeira estava em harmonia com os costumes médicos daquela época.2
A fundamentação dessa prática repousava em duas crenças principais. Primeiro, havia uma convicção terapêutica: a ideia dos antigos era que o corpo jovem de uma bela mulher transmitiria a um idoso saúde e vigor, e não somente calor.1 Segundo, havia dimensões políticas e dinásticas envolvidas. A fertilidade em um rei era considerada fonte de prosperidade para a nação inteira, e um rei, afinal de contas, não deveria ser um homem impotente.1
A escolha de uma jovem virgem tinha justificativas práticas: uma jovem solteira seria provavelmente vigorosa, livre de responsabilidades domésticas, e capaz de atender a Davi continuamente conforme suas necessidades exigissem.2 Importante notar que o escritor de 1Reis enfatizou que Davi não teve relações íntimas e sexuais com Abisague.3
Essa prática persistiu além da era bíblica: essa prática continuou até a Idade Média, e há conjectura de que tenha sido a Igreja Católica que a desencorajou.1 O que era considerado terapia legítima eventualmente tornou-se moralmente questionável conforme as perspectivas culturais e religiosas evoluíram.
1R.N. Champlin, O Antigo Testamento Interpretado: Versículo por Versículo, org. Juan Carlos Martinez (São Paulo: Hagnos, 2018), 716.
2Thomas L. Constable, “1 Kings”, in The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, org. J. F. Walvoord e R. B. Zuck (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 1:486–487.
3Luther Dorr, Explore the Bible: Adult Commentary: 1 Kings, org. Janice Meier (LifeWay Christian Resources, 2003), 11.
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